PERFIL DAS VÍTIMAS DE SUICÍDIO NECROPSIADAS NO NÚCLEO DE MEDICINA E ODONTOLOGIA LEGAL DE JOÃO PESSOA – PB – BRASIL.

Rayane Pereira do Nascimento, Larissa Chaves Cardoso Fernandes, Maria Izabel Cardoso Bento, Daniel de Araújo Batista, Bianca Marques Santiago, Patrícia Moreira Rabello

Resumo


Introdução: A incidência de suicídio vem crescendo no Brasil e no mundo, apresentando-se como problema de saúde pública. Objetivo: Traçar o perfil das vítimas de suicídio da cidade de João Pessoa/PB – Brasil. Material e Métodos: Estudo transversal, descritivo e de abordagem quantitativa por meio da avaliação de dados presentes nas Declarações de Óbito de vítimas de suicídio nos anos 2015 e 2016 emitidas pelo Núcleo de Medicina e Odontologia Legal da cidade de João Pessoa/PB – Brasil. Os dados foram fornecidos pela Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de João Pessoa. As variáveis estudadas foram sexo, idade, escolaridade, estado civil, ocupação, local do suicídio, se houve atendimento médico e causa básica da morte (de acordo com a Classificação Internacional de Doenças – CID-10). Procedeu-se a análise estatística descritiva e inferencial, adotando nível de significância de 5,0%. Resultados: 105 pessoas morreram vítimas de suicídio, com prevalência do sexo masculino (75,2%), entre 20 e 39 anos (41,9%), sendo a residência (73,3%) o local de eleição para a prática suicida. Quanto à forma, o enforcamento foi mais comum entre homens (57,1% e p=0,006) e a autointoxicação e o enforcamento (10,5% e p=0,006) entre mulheres. Não houve diferença estatisticamente significante quando o sexo foi relacionado ao estado civil (p=0,381), escolaridade (p=0,051) e ocupação (p=0,628). Conclusão: O perfil das vítimas de suicídio em João Pessoa nos anos de 2015 e 2016 foi de homens, adultos, solteiros, com baixa escolaridade, profissão relacionada à agricultura, ocorrendo, em sua maioria, na residência, por enforcamento (homens) e enforcamento e autointoxicação (mulheres).

Palavras-chave


Suicídio; Asfixia; Lesões do pescoço; Odontologia legal; Medicina legal

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DOI: http://dx.doi.org/10.21117/rbol.v6i3.258

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