ANÁLISE PERICIAL DAS LESÕES SITUADAS EM CABEÇA E PESCOÇO DE MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA ATENDIDAS EM UM INSTITUTO MÉDICO LEGAL DE MACEIÓ – AL

Ericca Maria Gomes Soares, Rafaelle Rodrigues Cavalcanti, Arthur Eric Costa Wanderley, Rúbia Reis Fonseca Amaral Souto, Raul Messias Lessa, João Francisco Tenório Neto

Resumo


Introdução: A violência contra a mulher continua sendo uma realidade no Brasil que traz à tona o cenário nacional de desigualdade de gênero, observada pelos altos índices de agressão, divulgados por meio de várias pesquisas que afirmam que a violência doméstica está em contínua progressão. No Brasil, a Lei Maria da Penha foi sancionada em 2006, estabelecendo medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. Objetivo: O estudo tem como objetivo conhecer os tipos de lesões em cabeça e pescoço identificadas em mulheres vítimas de violência doméstica que buscam o Instituto Médico Legal (IML) e, consequentemente, elevam as estatísticas de agressão feminina. Material e método: Consiste em uma pesquisa documental retrospectiva com abordagem quantitativa, e se enquadra na especialidade da Odontologia Legal. A coleta dos dados foi realizada no Instituto Médico Legal da cidade de Maceió - AL, referente aos anos de 2015 e 2016. Resultados: Dos 1698 laudos, os resultados mostram que mulheres entre 30 e 45 anos, da classe D, com vínculos afetivos com seus agressores prevalecem como agredidas por instrumentos contundentes e a região da cabeça foi a mais atingida. Conclusão: Conclui-se que os laudos fornecidos pelo odontolegista auxiliam no esclarecimento de incidências e na identificação dos tipos de lesões da cabeça e pescoço identificados em vítimas de agressão doméstica.

Palavras-chave


Violência doméstica; Odontologia legal; Mulheres agredidas.

Texto completo:

PDF

Referências


Silva GCC, Santos LM, Teixeira LA, Lustosa MA, Couto SCR, Vicente TA, et al. A mulher e sua posição na sociedade: da antiguidade aos dias atuais. Rev SBPH. 2005; 8(2): 65-76.

Garbin CAS, Garbin AJI, Dossi AP, Dossi MO. Violência doméstica: análise das lesões em mulheres. Caderno de Saúde Pública. 2006; 22(12): 2567-73. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2006001200007

Silva CN, Lucena EAD, Santos DS. Entre Lobos: feminicídio e violência de gênero em Alagoas. Maceió: Edufal; 2015.

Trindade RFC, Almeida AM, Rozendo CA. Infidelidade masculina e violência doméstica: vivência de um grupo de mulheres. Ciencia y Enfermeria. 2008; XIV (2): 39-46.

Waiselfisz JJ. Mapa da violência 2015: homicídio de mulheres no Brasil. Brasília: Flacso; 2015.

Brasil. Lei n. 11.340, de 7 de agosto de 2006. Lei Maria da Penha. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília; 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm. Acesso em: 25 de abril de 2017.

França GV. Medicina Legal: Genival Veloso de França. 9ª. Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2012.

Cerqueira D, Lima RS, Bueno A, Neme C, Ferreira H, Coelho D, et al. Atlas de Violência. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Brasília: DF, 2018.

Brasil JAC, Musse JO. Caracterização da perícia odontolegal em instituto médico legal do interior da Bahia. Rev Bras Odontol Leg RBOL. 2015; 2(2):35-47. http://dx.doi.org/10.21117/rbol.v2i2.37.

Ramos FB. Odontologia Forense: Uma importante ferramenta a serviço do Direito e da busca da verdade real. Conteúdo Jurídico, Brasilia-DF; 2012.

Maceió. Secretaria Municipal de Assistência Social. Plano municipal de assistência social. Maceió; 2014. Disponível em: http://www.maceio.al.gov.br/wp-content/uploads/admin/documento/2014/08/PMAS_Macei%C3%B3_2014_2017-FINALIZADO-para-upar.pdf.

Brasil. Ministério da Saúde. Implanta o Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA). Portaria MS/GM nº 1.356, de 23 de junho de 2006. Disponível em: http://portalms.saude.gov.br/vigilancia-em-saude/vigilancia-de-violencias-e-acidentes-viva.

Brasil. Prevenção à violência. Secretaria de Estado de Prevenção à Violência, Alagoas; 2016.

Hercules HC. Medicina Legal: texto e atlas. São Paulo: Atheneu; 2005.

Vincenzi B, Nadal L, Fosquiera EC. Estudo retrospectivo de leões do complexo maxilomandibular nos laudos do instituto médico-legal de Cascável (PR). Rev Bras Odontol Leg RBOL. 2017; 4(2):02-11. http://dx.doi.org/10.21117/rbol.v4i2.94.

Silva ACG, Filho JSO, Santos KPF, Barrêto AJR, Bezerra CA, Almeida AS. Violência contra mulher: uma realidade imprópria. Revista Ciência Saúde Nova Esperança. 2013; 11(2):101-15.

Castro TL, Tinoco RLR, Lima LNC, Costa LRS, Francesquini Júnior L, Daruge Júnior E. Violência contra a mulher: características das lesões de cabeça e pescoço. Rev Gaúcha Odontol. 2017; 65(2):100-8. http://dx.doi.org/10.1590/1981-863720170002000013245.

Marques RC, Garcez RH, Piorski CR, Carvalho GL, Azevedo JAP, Thomaz EBAF, et al. Danos Bucomaxilofaciais em Mulheres: Registros do Instituto Médico Legal de São Luís, Maranhão – 2010 a 2013. Rev Pesq Saúde. 2016; 17(2): 69-73.

Brasil. Aprofundando o olhar sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres. DataSenado. Brasília: Senado Federal, 2018. 35p.

Brasil. Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher. Secretaria de Transparência. DataSenado, Brasília: Senado Federal, 2013.

Brasil. BALANÇO 2015 Uma década de conquistas! Secretaria de Políticas para Mulheres, 2015.

Campos MLR, Costa JF, Almeida SM, Delwing F, Furtado FMS, et al. Análise de Lesões Orofaciais registradas no instituto médico-legal de São Luís (MA), no período de 2011-2013. Rev Bras Odontol Leg RBOL. 2016; 3(2):21-31. http://dx.doi.org/10.21117/rbol.v3i2.3.




DOI: http://dx.doi.org/10.21117/rbol.v5i3.186

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2018 RBOL- Revista Brasileira de Odontologia Legal